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Seguro de vida: por que 1 em cada 4 pessoas desiste no meio da contratação

Publicado em 14 de setembro de 2026 · Grancor Corretora de Seguros

Uma pesquisa global divulgada nesta semana colocou um número em algo que a gente escuta o tempo todo no atendimento: a pessoa quer contratar seguro de vida, começa o processo, se perde no vocabulário e desiste. O estudo da Capgemini em parceria com a LIMRA ouviu 6.175 consumidores em 18 países entre abril e junho de 2026 e mostrou que 47% consideram contratar uma apólice, mas 42% se dizem confusos, inseguros ou pouco convencidos pelas informações que encontram pelo caminho. Um em cada quatro abandona antes de fechar.

Importante: essa pesquisa é global e não mede especificamente o comportamento do consumidor brasileiro. Usamos os números aqui como retrato de um problema que também aparece no Brasil, não como estatística nacional. Os dados do mercado brasileiro citados mais abaixo vêm da CNseg.

Por que tanta gente desiste de contratar seguro de vida?

Segundo a pesquisa, os três maiores obstáculos são: linguagem técnica demais, citada por 37%; preocupação com preço, por 35%; e a sensação de que o produto não é relevante para a fase de vida atual, por 25%. Entre os mais jovens o efeito é ainda maior: na faixa de 18 a 40 anos, 54% consideram contratar, mas 28% abandonam a jornada.

Repare que o preço aparece em segundo lugar, não em primeiro. O que mais afasta as pessoas não é o valor da parcela, é não entender o que está sendo comprado. Ninguém assina um contrato que não consegue explicar para o próprio cônjuge, e é exatamente isso que acontece quando a proposta chega cheia de termo técnico sem tradução.

O que confunde na hora de comparar seguros de vida?

O vocabulário. Termos como capital segurado, carência, coberturas acessórias, beneficiário e declaração pessoal de saúde costumam aparecer sem explicação, e seguradoras diferentes usam nomes diferentes para a mesma cobertura. Sem uma tradução lado a lado, o consumidor acaba comparando só o preço final, que é justamente o número que menos diz sobre a qualidade da proteção.

Vale a pena chegar na conversa sabendo o que cada palavra significa:

Se essa sensação de contrato indecifrável soa familiar, ela é justamente o que a Nova Lei de Seguros (Lei nº 15.040/2024) tenta atacar, ao reforçar deveres de informação e transparência nos contratos. E se o termo que te travou foi outro, o guia sobre franquia ajuda a destravar o vocabulário do seguro de um jeito geral.

O seguro de vida da empresa já é suficiente?

Não necessariamente, e a pesquisa indica que quase ninguém verifica. Apenas 25% dos participantes afirmam receber algum apoio para identificar a cobertura adequada dentro do seguro em grupo, e 57% se declaram confiantes na proteção do empregador mesmo admitindo nunca ter avaliado formalmente se o capital contratado é suficiente.

Há ainda um detalhe que costuma passar batido: o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador normalmente acompanha o vínculo de trabalho. Se o vínculo termina, a proteção tende a terminar junto, muitas vezes no exato momento da vida em que a renda da família ficou mais frágil. Conferir o capital contratado no seu benefício e comparar com o que você precisaria é uma tarefa de dez minutos que quase ninguém faz.

Dá para pesquisar seguro de vida usando inteligência artificial?

Dá para pesquisar, e 51% dos consumidores ouvidos pretendem usar ferramentas de IA generativa para comparar produtos de vida. Mas a mesma pesquisa mostra que a IA não substitui a conversa: dois em cada três preferem a participação de um consultor para definir a cobertura, e 85% querem algum tipo de interação humana ao longo da jornada, seja para validar informações ou tirar dúvidas.

Essa combinação faz sentido. IA é excelente para explicar conceito, traduzir termo técnico e organizar dúvida antes da reunião. O que ela não faz é ler as condições gerais da apólice específica que chegou até você, conferir se a cobertura acessória que você quer está mesmo contratada, nem responder pelo produto na hora do sinistro. Quem faz isso é o corretor, que tem registro na Susep e responsabilidade sobre a orientação que dá.

Um ponto que quase ninguém olha: o pós-venda

A pesquisa também mostrou que quase 40% dos segurados raramente recebem contato da seguradora depois da contratação, e que metade das pessoas que cancelam a cobertura faz isso nos três primeiros anos. Seguro de vida não é um contrato para assinar e esquecer: casamento, filho, financiamento e mudança de renda são exatamente os momentos em que o capital segurado e os beneficiários precisam ser revistos.

Seguro de vida realmente paga?

Os números do mercado brasileiro mostram que sim. No primeiro semestre de 2026, o setor segurador pagou R$ 126,7 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios, segundo levantamento da CNseg. Só nas Coberturas de Pessoas, grupo que inclui o seguro de vida, foram R$ 82,5 bilhões em benefícios e resgates, e as indenizações desse segmento somaram R$ 8,9 bilhões, alta de 7,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Do lado da contratação, o brasileiro vem respondendo: os prêmios de seguros de Pessoas alcançaram R$ 41,6 bilhões no semestre, crescimento de 10% sobre 2025, e o seguro de Vida sozinho respondeu por quase R$ 20 bilhões, com alta de 10,2%. Ou seja, o produto cresce e paga. O gargalo continua sendo a etapa em que o consumidor precisa entender o que está contratando.

Para entender o cenário regulatório mais amplo por trás desses números, vale a leitura do nosso resumo sobre o mercado de seguros em 2026.

O que fazer antes de assinar

Três perguntas resolvem a maior parte da confusão descrita na pesquisa. Leve-as para a conversa com seu corretor:

Se você quiser entender as coberturas disponíveis antes de pedir uma cotação, nossa página de seguro de vida explica cada uma em linguagem simples.

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Fontes: Revista Apólice — Seguro de Vida: 42% dos consumidores se dizem confusos ou céticos (11/09/2026) · Revista Apólice — Setor paga R$ 126,7 bi no 1º semestre de 2026, com dados da CNseg (10/09/2026) · CNseg — Notícias do setor · Susep — Lei do Contrato de Seguro entra em vigor