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Seguro catástrofe: a Susep admite que o mercado privado não dá conta sozinho do risco climático

Publicado em 31 de agosto de 2026 · Grancor Corretora de Seguros

A última semana de agosto de 2026 concentrou duas conversas que dizem muito sobre o futuro da proteção no Brasil. No dia 26, no 3º Fórum IRB(P&D), no Rio de Janeiro, o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, disse uma frase que resume o problema: “o risco climático penetra em todos os outros riscos”. Dias depois, no 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, um diretor da autarquia afirmou que o mercado de seguros brasileiro poderia ser três vezes maior do que é.

Os dois recados apontam para o mesmo lugar. O Brasil está mais exposto a eventos extremos e, ao mesmo tempo, é um dos países menos segurados do mundo contra eles. Enquanto o modelo nacional de financiamento de catástrofes é discutido em Brasília, quem tem casa, carro ou empresa convive com uma pergunta bem mais imediata: a apólice que eu já tenho cobre isso?

O que é seguro catástrofe e por que o Brasil está discutindo isso agora?

Seguro catástrofe é um mecanismo de financiamento coletivo de perdas causadas por eventos extremos — enchentes, deslizamentos, secas prolongadas, vendavais de grande escala — grandes demais para caber apenas no balanço das seguradoras privadas. O Brasil discute o tema porque a lacuna de proteção é enorme: segundo a CNseg, apenas cerca de 9% das perdas econômicas provocadas por desastres climáticos no país têm cobertura securitária.

Os números por trás dessa conta explicam a urgência. Entre 2022 e 2024, a CNseg mapeou 67 eventos climáticos relevantes no Brasil, com prejuízos estimados em R$ 184 bilhões. Em 2025, até junho, outros 10 episódios já somavam R$ 31 bilhões. E só no verão de 2026, até 25 de março, a Confederação Nacional de Municípios contabilizava R$ 3,8 bilhões em prejuízos, 107 mortes e impactos em 702 municípios.

A desigualdade regional é a parte mais dura do diagnóstico. A cobertura securitária contra desastres chega a cerca de 16% no Sul, mas fica em 2% no Nordeste e em 0,2% no Norte — regiões que combinam maior vulnerabilidade socioeconômica com menor proteção. Em países desenvolvidos, esse percentual costuma variar entre 20% e 55%.

Cobertura securitária de perdas por desastres climáticos, por região
Região / referênciaParcela das perdas com cobertura de seguro
Brasil (média nacional)≈ 9%
Sul≈ 16%
Nordeste≈ 2%
Norte≈ 0,2%
Países desenvolvidos20% a 55%

Fonte: levantamento da CNseg citado pela Revista Apólice (abril de 2026).

Por que a Susep diz que o mercado privado não dá conta sozinho?

Porque parte das perdas climáticas envolve incerteza, escala e potencial de acumulação que empresas privadas não conseguem absorver integralmente sem comprometer capital e solvência. Em 26 de agosto de 2026, o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, defendeu uma arquitetura combinada de financiamento, reunindo seguradoras, resseguradoras, governo, fundos públicos e privados, cooperativas e mercado de capitais.

O raciocínio apresentado por ele é econômico, não apenas securitário. Uma enchente de grandes proporções deixa de ser uma questão de patrimônio e atinge, ao mesmo tempo, automóveis, residências, empresas, infraestrutura e crédito. Um pequeno empresário que perde o estabelecimento sem seguro pode perder também acesso a crédito, relação com fornecedores e a própria continuidade do negócio. Quando existe cobertura e o sinistro é indenizado rápido, a situação é outra.

Octaviani também lembrou que, na ausência de seguro, o poder público reage de qualquer forma: União, estados e municípios acabam deslocando recursos de outras políticas para financiar emergência e reconstrução. Discutir mecanismos de financiamento de catástrofes, nessa leitura, é discutir também qualidade do gasto público. Entre as frentes citadas por ele estão o resseguro, a retrocessão e instrumentos de mercado de capitais como a Letra de Risco de Seguro (LRS).

Um dado do IRB(Re) mostra por que o assunto não pode esperar: a lacuna de proteção no Brasil cresce a um ritmo estimado em cerca de 20% ao ano, contra uma expansão de aproximadamente 12% do próprio mercado segurador. O buraco aumenta mais rápido do que a solução.

O seguro residencial cobre enchente, vendaval e deslizamento?

Depende do que foi contratado. Na maioria dos seguros residenciais brasileiros, a cobertura básica é incêndio, queda de raio e explosão. Vendaval, granizo, alagamento, inundação, impacto de veículos e danos elétricos costumam ser coberturas adicionais, contratadas à parte. Deslizamento de terra é frequentemente excluído ou tratado como cobertura específica. Só as condições gerais da sua apólice confirmam o que vale no seu caso.

Essa é a distância entre a manchete e a realidade da apólice. O debate público fala em “seguro contra catástrofes”, mas o que indeniza a sua casa em uma tempestade é uma cobertura adicional com nome técnico, limite próprio e franquia própria. Muita gente descobre isso no pior momento possível.

Há ainda um detalhe que passa despercebido e vira problema no sinistro: o valor em risco declarado. Se a importância segurada foi definida há três ou quatro anos e não acompanhou a alta do material de construção e da mão de obra, a indenização pode ser insuficiente para reconstruir o mesmo imóvel — mesmo com a cobertura correta contratada. Vale revisar esse número na renovação. O funcionamento da franquia nesses casos está detalhado em o que é franquia do seguro e como ela funciona.

O que checar hoje na sua apólice

O seguro auto cobre alagamento do carro?

Nas apólices de cobertura compreensiva, geralmente sim. Segundo a Mapfre, alagamento e inundação já integram a cobertura compreensiva comercializada no mercado, sem necessidade de contratação adicional. Já os seguros feitos apenas com cobertura de roubo e furto, ou apenas de responsabilidade civil contra terceiros, normalmente não indenizam danos causados por água.

É uma das poucas boas notícias dessa pauta para o consumidor: no automóvel, a proteção contra evento climático costuma já estar dentro do produto padrão. O ponto de atenção é outro — a tentação de baratear a apólice cortando a cobertura compreensiva. Em um país onde as chuvas de verão de 2026 atingiram 702 municípios, essa economia mensal tem um custo escondido relevante. As alavancas que realmente reduzem o preço sem tirar proteção estão reunidas em 8 fatores que definem o preço do seu seguro auto.

O que muda com as cooperativas de seguros e a proteção patrimonial mutualista?

A entrada de cooperativas de seguros e de sociedades de proteção patrimonial mutualista (PPM) no sistema regulado pela Susep cria novos modelos de oferta de proteção, além do seguro tradicional. No 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, o diretor da Susep Carlos Queiroz afirmou que o mercado brasileiro poderia ser três vezes maior e destacou que o consumidor precisa entender as diferenças entre seguro, PPM e produtos de cooperativas — as garantias e as regras não são iguais.

O tamanho desse mercado paralelo é expressivo: cerca de 8 milhões de veículos estão vinculados a associações de proteção veicular no país, segundo dado apresentado no congresso. A regulamentação traz essas estruturas para dentro de um sistema com supervisão, o que é positivo, mas não as transforma em seguro. Continuam sendo produtos diferentes, com lógicas diferentes de rateio, reserva e garantia ao consumidor. Comparamos as duas modalidades em seguro auto x proteção veicular: as diferenças que importam.

Para quem contrata, a leitura prática é simples: com mais modelos disponíveis, cresce também a chance de comparar coisas que não são comparáveis. Preço mensal sozinho não diz nada se as regras de indenização, os limites e a solidez de quem responde forem diferentes.

O que dá para fazer agora, enquanto o modelo nacional não sai do papel?

A estratégia nacional de resiliência financeira defendida pela Susep é uma construção de anos e envolve governo, mercado e Congresso. Ela não muda a sua apólice na próxima chuva forte. O que muda é o que já está contratado.

Três movimentos concretos, em ordem de retorno:

O pano de fundo é este: o setor segurador brasileiro arrecadou R$ 207,1 bilhões no primeiro semestre de 2026 e projeta R$ 808 bilhões no ano, mas a proteção contra desastres segue concentrada em 9% das perdas. A diferença entre estar dentro ou fora desses 9% não é decidida por regulação — é decidida na hora de contratar. Para o contexto mais amplo do setor neste ano, veja o panorama do mercado de seguros em 2026.

Sua apólice cobre o que você acha que cobre?

Revisamos suas coberturas atuais e comparamos entre as principais seguradoras do Brasil, sem compromisso. Se faltar proteção contra vendaval, alagamento ou danos elétricos, você fica sabendo antes da próxima tempestade.

Revisar minhas coberturas

Fontes: Sonho Seguro — Susep: mercado privado não poderá assumir sozinho os riscos das mudanças climáticas, 3º Fórum IRB(P&D) (26/08/2026) · Revista Apólice — 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros: PPM, cooperativas e Resolução CNSP nº 493 (30/08/2026) · Revista Apólice — Clima extremo expõe lacuna bilionária e força revisão do seguro no Brasil, com dados da CNseg, CNM e IRB(Re) (23/04/2026) · CNseg — Projeção de crescimento de 5,7% e arrecadação de R$ 808 bilhões em 2026 · CNseg / Portal do Seguro — Arrecadação de R$ 207,1 bilhões no primeiro semestre de 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura das condições gerais da apólice. Coberturas, carências, limites e exclusões variam conforme a seguradora e o produto contratado. Grancor Corretora de Seguros — registro SUSEP 201063503.