Cada boleto de seguro no Brasil carrega hoje uma linha que pouca gente lê: o IOF. Esse imposto está com os dias contados nas apólices. A partir de 2027, a reforma tributária do consumo tira o seguro do campo do IOF e coloca no lugar dois tributos novos, o IBS e a CBS. A mudança ficou mais concreta na semana passada, quando a Susep criou um grupo de trabalho só para medir o impacto disso no mercado. Explicamos abaixo, em linguagem direta, o que muda e o que ainda está em aberto.
O que a Susep decidiu sobre a reforma tributária?
O grupo reúne servidores das áreas de regulação e de supervisão prudencial e de conduta, e pode convidar especialistas externos e representantes de entidades públicas e privadas para reuniões técnicas. O ponto que mais interessa ao segurado está na justificativa da própria Susep: a autarquia reconhece que o novo modelo pode afetar a precificação dos produtos, a forma de calcular provisões técnicas e capital das seguradoras e até o relacionamento com consumidores. Em outras palavras, o regulador está olhando para o que chega na ponta, no valor e nas condições da apólice.
Na mesma data, a Susep também publicou a Portaria nº 8.588/2026, que cria outro grupo de trabalho, voltado aos seguros de infraestrutura, com prazo de até 60 dias. É um tema mais ligado a grandes obras, mas mostra que a agenda regulatória segue intensa neste fim de 2026, na linha do que já comentamos sobre as novas regras para corretores e o prazo de 30 dias para pagamento de sinistro.
O IOF do seguro vai mesmo acabar?
Hoje o IOF incide sobre o prêmio, ou seja, sobre o valor que você paga à seguradora. A alíquota varia conforme o tipo de seguro e chega a 7,38% nos seguros de bens, como o seguro auto e o seguro residencial. É por isso que, numa apólice de R$ 3.000 de prêmio líquido, algo em torno de R$ 220 vai para esse imposto.
Com a reforma, o seguro passa a ser tratado como um serviço financeiro, e a base de cálculo muda de lógica. Em vez de um percentual cheio sobre o prêmio, a lei prevê que a seguradora apure IBS e CBS sobre suas receitas com prêmios e com os ativos que garantem as provisões técnicas, com deduções próprias do setor, como indenizações pagas, restituição de prêmios, comissões de intermediação e cosseguro cedido. A transição completa entre o modelo antigo e o novo vai até 2033, com 2026 funcionando como ano de testes.
Meu seguro vai ficar mais caro ou mais barato com o fim do IOF?
Esse é o ponto em que vale desconfiar de manchetes otimistas. "O IOF acabou" não significa "o seguro ficou 7% mais barato". O imposto antigo sai, mas outro entra no lugar, e o saldo para o consumidor só vai ficar claro quando as alíquotas definitivas forem publicadas e as seguradoras recalcularem suas tarifas. Análises do próprio setor falam em incerteza e não descartam um pequeno aumento de carga em alguns produtos, e é exatamente essa conta que o grupo de trabalho da Susep vai começar a fazer.
Há ainda um efeito prático de curto prazo: seguradoras precisam adaptar sistemas, contabilidade e cálculo de tarifa. Em anos de transição, é comum ver mudanças de preço entre uma renovação e outra que não têm nada a ver com o seu perfil de risco. Por isso, a renovação automática fica ainda menos recomendável em 2027.
Quem tem empresa ou frota deve se preparar de outro jeito?
Para quem contrata seguro empresarial, patrimonial ou de frota, o tema sai do campo da curiosidade e entra no planejamento. A pergunta certa para levar ao contador é simples: quando a apólice for renovada em 2027, como o IBS e a CBS destacados nela entram na apuração da empresa? A resposta pode mudar a comparação entre propostas, porque o preço bruto deixa de ser o único número que importa.
Já para o seguro de vida e o seguro viagem contratados por pessoa física, a lógica é a mesma do auto e do residencial: acompanhar o valor na renovação e comparar antes de aceitar.
O que fazer agora
Nada muda na sua apólice atual: o IOF continua sendo cobrado normalmente até o fim de 2026. O cuidado é com as renovações a partir de janeiro de 2027. Anote a data de vencimento do seu seguro, peça a composição do prêmio (líquido e tributos) na renovação e compare com pelo menos outras duas seguradoras. Uma corretora faz esse trabalho por você e mostra, lado a lado, quanto do valor é cobertura e quanto é imposto.
Se o preço do seu seguro auto já vinha subindo por outros motivos, como o custo de reparo mais alto em 2026, a mudança tributária é mais uma variável na conta. Também vale revisar os 8 fatores que mais pesam no preço do seguro auto, porque eles continuam valendo com ou sem IOF.
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Fazer minha cotaçãoFontes: Revista Cobertura — Susep constitui GT da Reforma Tributária · Diário Oficial da União — Portaria Susep nº 8.587/2026 · Let's Money — Susep cria grupo para analisar Reforma Tributária · Revista Apólice — GT de seguros de infraestrutura · Portal Contábeis — IOF sobre seguros será extinto em 2027 · Maran, Gehlen & Advogados — O fim do IOF nas operações de seguros · Planalto — Emenda Constitucional nº 132/2023
